6 de agosto de 2010

Exposição Fragmentos do Barroco Paulista - Palestra e visita guiada pelo Centro histórico

BARROCO MEMÓRIA VIVA – BARROCO PAULISTANO
Prof. Dr. Percival Tirapeli – PROEX/Vice Diretoria IA
Bolsista: Ana Ventura.

Exposição Fragmentos do Barroco Paulista – Galeria IA/UNESP.
Palestras Sexta, dia 6 de agosto, 9h às 12h. Abertura da Exposição: 18h.
Sábado, 07 de agosto de 2010, 9h às 13h.

1. 9h – Igreja de São Francisco. Largo São Francisco, 173.
2. 9h30 – Igreja de Santo Antônio, Largo do Patriarca.
3. 10 – Terraço do Edifício Martinelli, Rua São Bento.
4. 11 – Igreja da Ordem Terceira do Carmo. Av. Rangel Pestana. 230.
5. 12 – Restauro da Igreja da Boa Morte.
6. 13 - Igreja de São Gonçalo (Praça João Mendes).
7. 13h30 – Almoço.


::Textos descritivos::

Convento e Igreja de São Francisco

Os franciscanos chegaram a São Paulo somente em 1639. Escolhido terreno ao lado da Igreja de Santo Antônio, foi então nomeado frei Francisco dos Santos, do convento franciscano carioca, para a fundação da igreja e do Convento de São Francisco. Em 1640 foram acolhidos nas dependências da igreja de Santo Antônio, no atual Largo do Patriarca, adotando o mesmo orago para o novo convento cuja construção se iniciava naquele ano. Em razão da escassez de água e por estar sujeito a fortes ventos, em 1642 mudou-se para novo local, mais favorável, que lhes foi cedido e ali foi construído o convento, inaugurado em 1647.

Em 1828 foi criada a Faculdade de Direito de São Paulo, ocupando uma sala que então servia de sacristia, com acesso para o claustro. Em 1776 já havia sido aprovado, para o prédio dos franciscanos, o funcionamento de um curso, seguindo os moldes daquele que o marquês de Pombal dera à Universidade de Coimbra, com oito cátedras: retórica, hebraico, grego, filosofia, história eclesiástica, teologia dogmática, teologia moral e teologia exegética. Já no Império, o governo solicitou as acomodações do convento para que nelas funcionasse interinamente o curso jurídico, levando a comu­nidade a se distribuir por outros conven­tos. Também a biblioteca dos frades, contendo cerca de cinco mil volumes, foi cedida aos cursos jurídicos.

Para o historiador franciscano frei Adalberto Ortmann, esse é um conjunto que conserva suas proporções, ao contrário dos carmelitas, beneditinos e jesuítas que tiveram seus templos mutilados, reconstruídos e refeitos. Internamente apresenta uma ornamentação harmônica, mesmo tendo sido executada em diferentes períodos. Os dois retábulos laterais são barrocos joaninos e se destacam pela proporcionalidade em relação ao alto pé direito do templo. No teto curvo e liso, uma pintura executada em tinta óleo leva a data de 1953, sem notícias de que teriam sido salvas do incêndio e restauradas ou mesmo recriadas. Representam várias cenas da vida de São Francisco iniciadas por aquela que evoca a criação do presépio, próxima ao arco cruzeiro; as laterais são cenas com o santo que confirma seu voto de pobreza diante de diversas situações até sua entrada no reino dos céus ladeado de serafins. No coro destaca-se um grandioso cadeiral para os freis se sentarem quando são cantadas as antífonas – todo em jacarandá, de linhas severas renascentistas sem ornamentos. Na sacristia, dois arcazes em jacarandá com tremulados e molduramentos em folhas e no nicho de um deles, um busto relicário de São Luis de Tolosa, em barro cozido, apresentando uma modelagem erudita, com traços delicados.

“Parece fora de dúvida que esta (igreja), nas linhas gerais de sua construção, à exceção do alpendre ou vestíbulo, levantado em 1787, e da capela-mor reconstruída por iniciativa do Dr. Clemente Falcão de Souza Filho, depois do incêndio de 16 de fevereiro de 1880, conservou sempre o primitivo estado do ano de 1647”. Na ocasião, foi comprado na Alemanha o atual retábulo-mor. De fase posterior são os azulejos que imitam os portugueses do século XVIII e, em feitura, se aproximam daqueles da capela neocolonial carmelita atualmente pertencente à Pontifícia Universidade Católica. Desse modo, a Igreja de São Francisco e as dependências de seu convento, hoje Faculdade de Direito – projeto neocolonial de Ricardo Severo, construído entre 1933 e 1938 –, constitui-se em importante registro da arquitetura setecentista em São Paulo.


Igreja da Ordem Terceira. de São Francisco de Assis

A Ordem Terceira da Penitência data de 1676, mas sua capela ligada por um arco à igreja franciscana teve suas obras concluídas apenas em 1736, correspondendo hoje ao espaço compreendido entre os retábulos de São Miguel e da Imaculada Conceição.

Em 1783 os frades doaram um terreno para que a irmandade ampliasse a capela; quatro anos depois, ganharam uma entrada pelo Largo de São Francisco. Sua fachada foi alinhada à da igreja do convento e fechada a comunicação interna (arco na parede do transepto) entre os dois prédios.

Originalmente, a capela possuía planta octogonal; a atual configuração, em forma de cruz, surgiu em 1787. Trata-se de um dos dois únicos exemplos de igrejas com planta poligonal em São Paulo (o outro é a Igreja da Luz). A autoria dos dois projetos está ligada a Frei Galvão, que pertencia ao convento de São Francisco, onde realizou muitas obras (Toledo, 2001, p.38). Na confluência entre os braços e o tronco da cruz encontra-se a abóbada octogonal, com um zimbório que confere ao templo uma expressiva iluminação natural. As paredes do transepto são ornamentadas por grandes cartelas compostas de concheados em estilo rococó.

Entre 1736 e 1740, foi executado um novo retábulo-mor, em local que corresponde, hoje, ao braço direito do transepto. Muito provavelmente seja uma obra do entalhador Luiz Rodrigues Lisboa. Tal retábulo abrigou entre 1741 e 1783 o grupo do Senhor Crucificado com São Francisco recebendo as Chagas.Nos braços do transepto formam-se duas capelas, cada qual com seu retábulo. Do lado da epístola, de 1736, em estilo D. João V, sob a influência romana, é dedicado a N. Sra. da Conceição e, no lado oposto, o de São Miguel Arcanjo, este último proveniente da antiga igreja do mosteiro de São Bento paulistano. O arco cruzeiro é ladeado pelos altares de N. Sra. das Dores e São Luís, Rei de França. O retábulo-mor, que atualmente abriga o conjunto escultórico do Seráfico, é de autoria de José de Oliveira Fernandes, realizado por volta de 1791, com elementos do barroco joanino e rococó. A nave apresenta tribunas com balcão e, abaixo destas, seis retábulos em estilo rococó, consagrados, do lado da Epístola a Santo Antônio de Categeró, Santo Ivo e Santa Isabel de Portugal e, do lado do Evangelho, à Divina Justiça, Santa Margarida de Cortona e Santo Antônio de Pádua (Bonazzi da Costa, 2001, p.68-71). Segundo Ortmann, tais retábulos foram executados entre 1823 e 1828 sendo dois pelo mestre Floriano José e quatro pelo entalhador Guilherme Francisco Vieira.

O conjunto constitui um dos mais representativos exemplos de talha, remanescente dos séculos XVIII e XIX, em São Paulo, sendo que o retábulo consagrado à Santa Margarida de Cortona, é o único remanescente que conserva a policromia original, tendo sido os demais raspados e novamente dourados no século XX.

O precioso acervo de talha dourada guarda ainda um representativo conjunto de pinturas remanescentes do período colonial. Segundo Ortmann, há nos arquivos da Ordem, registros referentes aos nomes dos seguintes pintores: João Pereira da Silva, José Patrício e um terceiro apelidado de “Quadros”. No teto da nave encontram-se pinturas representando São Francisco entregando a regra aos Irmãos Terceiros, Santa Bona e Santo Lúcio, e painéis para a capela-mor, de autoria de José Patrício, pintados entre 1790/1791. A cena é emoldurada por um cordão filigranado que lhe dá a aparência de “um pequeno broche colocado sobre uma fina folha de ouro que se enrola ao seu redor”. O mesmo pintor executou sete painéis na cúpula entre 1791/1792 – mas dois foram retirados para a abertura dos zimbórios.

O forro da capela-mor possui grande pintura desse artista executada entre 1790/1791, representando São Francisco subindo ao céu em um carro de fogo. A cena é ladeada por um grupo de frades admirando o milagre, e o conjunto é arrematado, nos cantos, por concheados e guirlandas de flores.

Na capela-mor, duas telas retratam um bispo sentado, tendo a seus pés São Francisco ajoelhado de um lado e seis religiosos; do outro, a figura do pai de São Francisco. No entanto há controvérsias a respeito da autoria de tais trabalhos: Ortmann as atribuiu, em 1951 ao pintor Quadros, mas, em 1954, D. Clemente da Silva-Nigra as atribuiu a José Patrício da Silva Manso. João Pereira da Silva executou em 1768, telas que se acham no corredor da capela, sacristia e dos altares colaterais. Há quatro painéis na capela da Conceição (1792/1793), e seis junto ao retábulo de São Miguel, que já constam do inventário das alfaias de 1756.

Em 1843, foram pintados por Quadros seis painéis: quatro retratos, para a área sob o coro e dois para a capela-mor, representando a renúncia e a morte de S. Francisco. A igreja da Ordem Terceira das Chagas do Seráfico Pai São Francisco guarda o maior conjunto de pinturas atribuídas a José Patrício da Silva Manso.


A Sé de São Paulo

A Igreja da Sé da Assunção de N. Sra. foi demolida em 1912 para ampliação da praça com seu nome, iniciando-se ali a catedral, erigida a partir de 1745, com a criação do bispado de São Paulo – então elevado à sede de diocese. Naquela data remodelou-se a velha matriz. Ao reformar-se totalmente o templo, as atividades da Sé passaram a se desenvolver na Igreja da Misericórdia, onde se instalou a corporação dos cônegos por ordem real, e sem prejuízo do normal funcionamento da respectiva Irmandade da Misericórdia. A Sé foi reinstalada no templo reconstruído, mas inacabado, em junho de 1752, dois anos após a posse do primeiro bispo de São Paulo; a reforma prolongou-se por pelo menos mais trinta anos.

Templo de 34 metros da porta principal ao arco do cruzeiro, 12 metros de largura, em taipa de pilão, seis altares laterais mais o altar-mor, a capela-mor também na mesma taipa. Providenciou-se órgão novo para a Sé, após a criação do bispado. (...) O novo órgão vindo de Lisboa logo após maio de 1746 seria levado à Misericórdia, ocorrendo sua definitiva instalação no citado coreto da nova Sé, quando da inauguração desta em junho de 1752, para a qual se translada também o Santíssimo. Em 1772, há registro de que o órgão tocava sem 113 canudos, já em reparação em 1749. O período áureo da produção musical em São Paulo coincide com as atividades do compositor e regente André da Silva Gomes, que vão de 1774 a 1883. Dentre as medidas tomadas pelo primeiro bispo de São Paulo, D. Bernardo Rodrigues Nogueira, ressalta-se a providência para se realizarem inventários periódicos na Sé. Dos livros de cantochão que localizamos em pesquisa nos arquivos da Cúria Metropolitana de São Paulo, apenas dois permitem, por seu estado menos deplorável de conservação, citação integral: o primeiro data de Veneza, 1732, e o segundo, de Lisboa, 1791 (Próprio da Missa, em edição de Lisboa, 1791)

Diáspora do tesouro da Sé - Apesar da iconografia escassa de São Paulo, o artista francês Hercules Florence, por volta de 1830, registrou uma missa em memória de Libero Badaró no interior da Sé. O desenho mostra três retábulos laterais, o púlpito que se encontra hoje na Igreja da Imaculada Conceição e o órgão ao fundo. (Lago, 1998, p.75). Existe uma fotografia preciosa do interior da catedral, antes de sua demolição em 1912, mostrando a capela-mor com as estalas (cadeiras onde se sentavam os cônegos) e o altar-mor.

Na ocasião, Dom Duarte Leopoldo e Silva presenteou objetos artísticos pertencentes à antiga catedral a várias igrejas e confiou outros a particulares, conforme lista original existente no Arquivo da Cúria, assinada por Francisco Salles Collet Silva, então diretor do Arquivo. A lista especifica os locais para onde foi o “tesouro da Sé”, e dela destacamos: para as matrizes do Brás, Santa Ifigênia (inicialmente agraciada com o órgão da capela-mor, que na verdade seguiu para a Igreja de São José, no Ipiranga, onde se encontra), dos Remédios, da Saúde (altar da sacristia, tapa vento e grade do coro); a matriz do Cambuci ganhou o altar de São João Nepomuceno e do Bom Jesus, além de duas portas de tapa-vento; a Matriz de Itapecerica ganhou quatro tribunas; o altar do Sagrado Coração de Jesus foi para a Matriz de Bom Jesus dos Perdões. O sino maior foi para a Igreja de São Geraldo, nas Perdizes, e o menor para a de Santa Cecília. O relógio primitivo retornou à atual catedral, e a tela A conversão de São Paulo, de Almeida Júnior, que ficava no teto da nave, está hoje no Museu do Ipiranga.Os frades capuchinhos da Igreja da Maria Imaculada ficaram com o retábulo-mor e dois púlpitos. A cripta permaneceu como estava. No interior do Estado, a diocese de Ribeirão Preto ficou com as estalas que retornaram à catedral neogótica assim que terminada, em 1954. Lá agora permanecem, após a reforma de 2002 (Silva, Antiga Sé, arquivo da Cúria SP).


Igreja da Ordem Terceira do Carmo

Criada em 1697 por provisão de frei Manoel Ferreira da Natividade,localiza-se no antigo “Outeiro do Tabatingüera”, construída que foi ao lado da igreja do convento. Estava pronta em 1759, quando se iniciava a pintura da capela-mor e a confecção da talha dos retábulos, ficando completa por volta de 1763. A fachada apresenta janelas, com vergas curvas, à altura do coro. Na parte interna, possui nave única e capela-mor, ambas com tribunas com sanefas e elaborados guarda-corpos em talha dourada. A igreja reúne um precioso conjunto de talha, imaginária e pintura – sendo os trabalhos de talha do altar-mor e demais altares do entalhador Pedro Ludovico. Os serviços do pintor João Pereira foram contratados para o douramento do retábulo, pinturas das tribunas, as portas, na capela-mor, o arco e retábulo do Senhor da Pedra Fria. Os livros da Ordem registram, em 1763, a prestação de contas para serviços de pintura e douramento de quatro altares e cinco tribunas da capela. A essa época concluíam-se as obras da igreja com o término dos serviços de pintura e douração.O retábulo, o trono e o forro da capela-mor foram certamente, por volta de 1793, removidos e substituídos por novos trabalhos, executados pelo mestre José de Oliveira Fernandes, logo depois que esse entalhador concluiu os trabalhos no retábulo-mor da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco. Existe, segundo Etzel, uma seme­lhança entre estes dois altares da mesma época, talvez porque se destacam as colunas estriadas de ambos. No do Carmo, porém, há uma simplificação mais acentuada, que chama a atenção ao se observar o sacrário quase liso, com poucos ornamentos de talha. Gracioso o oratório sobre o altar da sacristia e muito bonito o oratório-armário da sala do consistório, com frontão de corni­jas barrocas, enfeite central e dois anjos alados, notáveis na sua flagrante des­proporção.

A capela-mor apresenta um conjunto de talha delicadamente lavrada onde se alternam o fundo branco e os filetes dourados, como os ornatos mais destacados. Baseado no esquema tradicional em forma de arco de triunfo o conjunto exibe, em destaque, a boca do camarim que abriga um trono e a imagem da padroeira da ordem, sobre a qual se encontra um delicado baldaquino com lambrequins em formato de flor de liz e anjos ladeando uma coroa. Um dossel de formas sinuosas arrematado em lambrequins vazados é encimado por emblema carmelita de grandes dimensões, em cartela emoldurada por elementos vegetais estilizados. Merecem destaque os fragmentos de arcos sobre a cimalha, que são compostos por volutas às quais se aplicou uma leve torção, tornando-as anamórficas, fenômeno este que se repete nos baldaquinos que se encontram entre os pares de colunas.O arco e as antigas tribunas foram vendidos em 1796, época de obras no intuito de promover melhorias ao templo e suas dependências.

Por meio de doações recebidas, a igreja tornou-se abastada, possuindo jóias de ouro, pedras preciosas e crucifixos. As obras realizadas entre 1922 e 1927 deram ao conjunto seu aspecto atual, composto por capela, sacristia, consistório, sala de reuniões e jazigo.

A igreja guarda também inestimáveis exemplares da pintura paulista, realizados por volta de 1761 pelo padre Jesuíno do Monte Carmelo. Além delas, conserva pinturas de José Patrício da Silva Manso, caso da pintura central do teto da sacristia. Mário de Andrade, com base nos recibos da Ordem, identificou e atribuiu a obra, realizada entre 1785-1786, a José Patrício da Silva Manso – um forro dividido em caixotões, com pintura monocromática, tendo ao centro um painel que representa N. Sra. do Carmo, cercada de querubins, com o Menino Jesus ao colo, entregando o escapulário à Santa Teresa. Com as obras de alargamento da Rua do Carmo, o forro foi deslocado lateralmente. No forro da biblioteca há uma grande pintura representando a ressurreição de Lázaro. No consistório, um grande crucifixo em madeira policromada e uma mesa com cadeiras, destacando-se a beleza da cadeira do prior da ordem em jacarandá em fino trabalho de marcenaria.

A pintura do forro da igreja foi executada entre 1796 e 1797 pelo padre Jesuíno do Monte Carmelo. Sua estrutura é curva, como na maior parte das igrejas do período, mais estreita na capela-mor do que na nave ou no coro. Segundo Mário de Andrade (1945), o padre teria pintado primeiro a nave, depois a capela-mor, e, por último, o coro. A pintura é construída com base nas próprias linhas arquitetônicas das paredes, as quais são divididas em três faixas, com molduras que chegam até o teto, atravessando-o transversalmente até a parede oposta. Jesuíno aproveitou essa compartimentação, criando nos espaços entre as molduras seis grupos de beatos e beatas carmelitas, com quatro figuras cada, representados de corpo inteiro e apoiadas diretamente sobre a cimalha. Considera-se essa a obra de maior vulto que nos ficou desse carmelita.

A atual pintura central da nave não é a original do padre pintor: foi executada por Pedro Alexandrino, já no século XIX. Quanto ao teto da capela-mor, também segundo Mário de Andrade (1945), ao ser restaurada a pintura teve sua composição mantida, porém sofreu uma pequena alteração na posição das pernas de Nossa Senhora – o que pode significar que a obra de Jesuíno do Monte Carmelo esteja ainda no forro, porém oculta. A pintura do forro do coro é a última obra de Jesuíno na igreja, trabalho executado após a sua ordenação. O conjunto pictórico compreende, ao centro, uma estrela divina emoldurada por nuvens e anjos, ladeados por quatro beatos. Cada extremo do coro guarda uma figura de santo, com uma mesa e um elemento sobre ela: um chapéu, um tinteiro, uma caveira e um manuscrito. As pinturas de Jesuíno demonstram a busca de “uma beleza fisionômica, estudada, buscada e obtida, e, ao mesmo tempo, demonstram paz interior”

A implantação do conjunto carmelita na borda da colina, a caminho do Vale do Paraíba, foi a mais favorável para ser registrada pelos artistas viajantes do século XIX, o que contribuiu para seu restauro minucioso. Assim, removeram-se as paredes que fechavam os três arcos da galilé que havia sido fechada.No corredor lateral de acesso à sacristia, há uma preciosa série de pinturas do padre Jesuíno, provenientes do Recolhimento de Santa Teresa, retratando cenas da vida da santa que foram tombadas pelo IPHAN, cumprindo assim a vontade de Mário de Andrade, o primeiro a ver as qualidades na obra pictórica de Jesuíno. No rosto do São João da Cruz, pintado no forro do coro, Mário vê a expressão máxima da arte jesuína.


Igreja de São Gonçalo

A Igreja de São Gonçalo Garcia localiza-se na Praça João Mendes, antes conhecido como Largo da Cadeia. Trata-se de uma construção em taipa de pilão do século XVIII, inicialmente bastante modesta, que sofreu diversas reformas, inclusive com a ajuda da Câmara de São Paulo. Em 1724 havia sido criada na Igreja de Santo Antônio a Irmandade de N. Sra. da Conceição e São Gonçalo Garcia que, em 1756, recebeu do bispo frei Antônio da Madre de Deus Galvão a provisão para a construção de uma capela no local, até hoje ocupado pela Igreja de São Gonçalo.

A invocação origina-se do santo que atuou como missionário no Japão e foi cru­cificado em Nagasáki, Japão, em 1579, com outros 22 religiosos terceiros franciscanos, e três da Companhia de Jesus, por pregarem a religião católica aos japoneses. A devoção ao santo em São Paulo é bastante antiga, estando entre as referências mais longínquas o testamento de Luzia Cunha, de 1638, e a existência de um sítio próximo à cidade, em 1649, com o nome de São Gonçalo.

O corpo atual da igreja, que remonta ao século XVIII, foi construído por Nicolau Alves da Fonseca, conhecido como o “Carranca”. Ao executar os alicerces da obra, avançou em terreno que excedia os limites da irmandade, incorrendo esta em uma questão judicial com a Câmara, que, a partir de 1863, deixa de ser mencionada nos relatos oficiais.

A igreja passou por reformas externas ainda na segunda metade do século XIX, e o fron­tispício atual foi cons­truído em 1881. Em 1893, João Mendes de Almeida reuniu recursos para uma última reforma, época em que passou a ser uma das poucas igrejas sob a guarda jesuítica. Concluída a reforma, internamente foram erguidos dois altares laterais, provenientes da antiga Igreja de N. Sra. Aparecida, em Aparecida. Esses altares postos na nave, com coroamento similar a tantos outros do Vale do Paraíba, incluem a colocação da pomba símbolo do Divino e raios como resplendor; antecedem a capela-mor profunda que possui uma cúpula, harmonizando-se com o conjunto retabular-mor. A luminosidade criada realça as formas da requintada talha que, reúne elementos ornamentais que remetem às composições arquiteturais italianas, como as usadas na talha lisboeta da segunda metade do século XVIII. A estrutura ainda contém elementos joaninos, como as mísulas preciosamente lavradas, o dossel e fragmentos de arcos sobre as colunas, cujo fuste reto ornado com delicados motivos filetados, prenuncia segundo o pesquisador, um novo classicismo. Elementos assimétricos do estilo rocaille se distribuem pelo conjunto. Ornamentação semelhante pode ser encontrada nos altares do cruzeiro e nos púlpitos. Na capela lateral à direita da entrada, um conjunto escultórico do Calvário, obra do início do século XX, semelhante aos da Igreja de Santo Antônio e Imaculada Conceição, destaca-se pela colocação, luminosidade e pela dramática escultura do crucificado. A Igreja de São Gonçalo guarda várias peças que pertenceram à antiga Igreja do Colégio dos Jesuítas, sendo a mais importante sua pedra fundamental, com a inscrição IHS, símbolo dos inacianos, que ainda se encontra obre a verga da porta de entrada. Ainda na fachada, vê-se, na torre, o quadrante do relógio.

Extraído de Tirapeli, Percival - Igrejas Paulistas – Barroco e Rococó, S.P., Ed. UNESP/Imprensa Oficial do Estado, 2003.


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Palácio das Indústrias e edifício Martinelli

O Palácio das Indústrias, como o Teatro Municipal, ao lado dos edifícios Martinelli e Conde Matarazzo, evoca o espírito itálico na paisagem paulistana. Implantado no Parque D. Pedro II, que fora uma várzea inundável até o início do século XX, o edifício foi projetado pelo Escritório Técnico Ramos de Azevedo em 1911, sob os auspícios da Secretaria da Agricultura, Indústria e Comércio, para a exposição das atividades industriais e agropecuárias do governo paulista.

O Palácio das Indústrias resume este curioso e interessante período da atividade arquitetônica do Nuovo Regno di Italia, na opinião da arquiteta italiana Lina Bo Bardi que o reformou para abrigar a sede da prefeitura entre 1992 a 2004, com suas loggias, torreões, fontes etc. O Palácio das Indústrias é, enfim, “gracioso”, representando bem uma época importante para São Paulo, com suas inserções americanas (as simpáticas vacas no lugar dos leões campantes, o que é notável e original, dando uma nota exótica e um pouco dissonante), e merece bem uma rigorosa atenção na concepção da Nova Grande Prefeitura de São Paulo, que o insere com respeito e dignidade no importante limite do Parque D. Pedro II com o Brás (Bardi, 1992, p.76).

O projeto de Domiziano Rossi abrigou as esculturas alegóricas de Nicola Rollo e também o grupo escultórico O Progresso, colocado no alto do edifício. Ali funcionaram os ateliês dos artistas Oreste Mantovani, Nicola e Adolpho Rollo, Victor Brecheret, Van Emelen e Rigoletto Mattei e, na segunda metade do século XX, inúmeras repartições governamentais e mesmo sede da prefeitura da capital.

Do mesmo período, o edifício Martinelli, inaugurado em 1929, foi o símbolo da pujança industrial de São Paulo. Implantado em uma das faldas do Espigão Central, um dos mais belos cenários urbanísticos, composto atualmente por edifícios sede dos bancos do Estado de São Paulo e do Brasil, determinou a visualidade do progresso da cidade que se transformava em metrópole a partir dos anos 50. Projetado pelo comendador Martinelli, que residiu na mansão existente no topo da construção, recebeu acabamento luxuoso com pisos e escadas de mármore de Carrara, ferragens inglesas e portas e janelas em pinho de Riga, provenientes da Lituânia. O tom róseo do cimento importado da Suécia envolve todos os 26 andares do edifício.

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Timbres na Boca do Sertão

O estudioso do urbanismo brasileiro Murilo Marx, em ensaio especial, analisa o espaço construído pelos padres franciscanos em uma das bordas da colina da “cidade de barro”.

A borda do campo

Vale a pena considerar a situação pioneira e privilegiada de São Paulo de Piratininga na borda do campo e do planalto, seu sítio peculiar, seu tecido urbano balizado, antes e sobretudo, por suas casas religiosas. Seu colégio, mosteiro e conventos antecederam, paulatinamente e como referência, as capelas filiais e a própria matriz; anteciparam a vila colonial, a cidade e a metrópole contemporânea, cujo núcleo em transformação seguida continuam a timbrar.

Há certos traços interessantes atinentes ao tramo sul da então incipiente rede urbana brasileira, ora ocupada por parte do estado de São Paulo. As fundações religiosas estavam na costa e no planalto. Ora, foi importante para a arquitetura, talvez para o urbanismo, a dicotomia entre os núcleos de beira-mar e os de serra acima na antiga capitania de São Vicente. As casas religiosas participavam de assentamentos humanos os mais variados, sobretudo quanto a seu destino, o que prestigia ainda mais as análises comparativas. Em torno da vila paulistana, as clausuras distribuíam-se harmoniosamente e hoje todas, ou seus vestígios urbanísticos, caminham para integrarem um mesmo e gigantesco campo urbano em avassaladora formação.

São poucos os trabalhos sobre a evolução de nossas cidades atentos aos aspectos espaciais. Subsídios importantes a tal interpretação constituem estudos de geografia, como os de Caio Prado Júnior sobre os fatores e conseqüências da situação de São Paulo e os de Pierre Deffontaines e Pedro Pinchas Geiger sobre a rede urbana brasileira. Sobretudo, ainda úteis a uma análise arquitetônica de cada aglomeração em si, são ensaios de geografia urbana como os de Josué de Castro sobre o Recife, os de Theodoro Sampaio e Milton Santos sobre Salvador, os de Jürgen Langenbuch e Pasquale Petrone sobre a grande São Paulo, além da notável investigação sobre os núcleos pioneiros do oeste paulista por Pierre Monbeig. Por razões disciplinares, mais se aproximam das questões de escala e disposição das cidades do que numerosos e sérios aportes no âmbito da demografia, economia, sociologia e da história. Variáveis que dizem respeito primordialmente à configuração urbana compreendem as características de situação, sítio e localização das cercas de religiosos, as conseqüências urbanísticas das benfeitorias nelas criadas (e não as benfeitorias em si), do seu adro e da atração exercida pelas suas atividades, bem como os reflexos das alterações sobrevindas no seu uso, conformação e vizinhança.


A borda da colina

Os oficiais da câmara da vila de São Paulo, na véspera do Natal de 1642, assinam uma nova “Carta de data de chãos para a Igreja, convento e cerca” dos franciscanos que “nos pediam lhes déssemos oitenta braças de comprimento começando da ponta das casas de Pedro Bento do Prado, ficando rua em meio, e setenta braças de largo na rua de cima, e para o brejo o que houver até o canto do muro do sítio de Domingos Coutinho e daí cortando para a pedreira até se meter no olho d’água, que perto deste está”. Esta dação dum novo terreno para os frades menores, por petição do seu Custódio, marca não a fundação do convento de Piratininga, que nascera pouco antes junto com o de Santos, mas a concessão da gleba que ainda hoje em parte se pode facilmente localizar. O documento, transcrito por frei Basílio Röwer em Páginas de história franciscana no Brasil, revela alguns dados sobre as terras acertadas entre os frades peticionários e os camaristas concedentes, entre uma comunidade religiosa e os legítimos outorgantes do poder local. Dados esses que são perceptíveis atualmente no coração transfigurado da megalópole.

A câmara paulistana, na véspera daquele Natal, concede aos frades menores um novo terreno porque o antigo “sítio é falto de água, e mui sujeito à inclemência do tempo, por ser lugar alto, e desabrigado, e mais para baixo do dito sítio para a banda do rio Anhengobá está outro capaz, e acomodado...” Justifica ceder “aos suplicantes os chãos, e brejo que pedem, visto ser para o bem comum, e melhor ornato do culto divino, e ficar esta vila mais enobrecida, ficando no sítio confrontado” o convento de São Francisco e São Domingos. Numa das bordas da colina em que nasceu a capital paulista, “por sinal que uma das mais irregulares e estreitas das que constituem o quadro das colinas tabulares regionais”, segundo Aziz Ab’Saber (1956), estava o brejo, mais de uma vez mencionado no documento, que parece ser a calha do Anhangabaú para a qual se debruçavam os fundos do conjunto conventual e até a qual descia sua cerca.

Já ao tempo da independência, Saint-Hillaire observa que os três conventos para homens na cidade de São Paulo “foram edificados nos locais mais favoráveis, bastante afastados uns dos outros, sobre os limites da plataforma onde termina a colina, e de cada um deles se descortina uma vasta extensão da planície”. Talvez este fato tenha levado à crítica de Pearce Edgcumbe, ao fim do Império: “San Paulo is situated on the top of a lofty ridge in the midst of a wide elevated plateau of undulating hills. From an artistic point of view it is finely placed, but from more mundane aspects might be more consequentely situated”. Realmente, no início do século XX e especificamente a respeito dos franciscanos, Paul Adam afirma em Les visages du Brésil: “Leur esprit esthétique qui sût, par tout le Brésil, choisir les sites grandioses pour l’emplacement de leur cloîtres, a laissé dans Saint-Paul, un plaisant édifice”.

Frei Manuel da Ilha conta em sua Narrativa... (1584-1621) que, no sítio definitivo e atual do convento de São Francisco em Salvador, “ao cavar os fundamentos, os trabalhadores inesperadamente encontraram uma grande pedreira da qual ninguém tinha conhecimento, pois, se assim fora, não teriam os moradores trabalhado em vão, trazendo de longe, com grandes despesas, as pedras para as construções. Todos consideraram tal fato como um milagre”. Uma petição dos primeiros habitantes de Cabo Frio ao capitão-mor, citada por Röwer, assegura que do morro posterior ao sítio sugerido os frades menores “poderão tirar tôda a pedra, que lhes fôr necessária para o dito Convento e muro, e assim tôdas as águas que dentro do sítio e muro se acharem por lhes serem necessárias”. Sabe-se que, no Rio, o mosteiro de São Bento contava com uma pedreira no morro da Viúva, e que os carmelitas tinham concessão para tirar pedras numa das ilhas da baía de Guanabara. Para as casas religiosas paulistas de serra acima, entretanto, este importante dado geológico tinha menor significação, por ser o sistema construtivo difundido a taipa-de-pilão.


A borda do centro

Em Piratininga, escolhem os capuchos um local afastado dos outros claustros já estabelecidos, o beneditino, o carmelitano, além do colégio inaciano. Junto ao barranco para o qual se abre a atual praça do Patriarca e junto à saída para o oeste e para o sul, representada pela ladeira Dr. Falcão. Pouco depois, contudo, estão eles se mudando para mais longe ainda, como se viu. No texto já mencionado da nova carta de data, obtida em 1642, ressalte-se a cessão dos chãos e brejo, que frisam um certo tipo de sítio importante para determinadas necessidades pecuárias dos peticionários. Por sua vez, a asserção “visto ser para bem comum” torna-se curiosa, se não se considera a presença e o interesse também das outras clausuras; na verdade, não interessaria ao povo a distância maior da nova fundação em relação ao centro de então. O “melhor ornato do culto divino” não seria a possibilidade de, através da rua de São Bento alinhar dois templos, seus altares e oragos na vila? Com uma área maior, definida por tais balizas mais distanciadas, podia “ficar esta vila mais enobrecida”.

Quase uma centúria depois, para frei Apolinário da Conceição, “... antiga Vila de Piratininga, agora moderna cidade”, em seu “Epítome da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil”: “Na entrada da cidade está o nosso convento, o qual (é) acompanhado de casas por uma e outra ala, de que se forma uma bem direita e comprida rua, que finaliza com o convento do glorioso Patriarca São Bento, estando a dita rua tão bem plantada e os conventos em tal forma, que se vê as luzes das lâmpadas de um ou outro nos altares maiores”. Esta posição à frente dos patriarcas, dos monges e dos frades não escapou a outros cronistas e ressalta a exclusiva direitura da rua de São Bento no velho centro paulistano. E o seu truncamento diante das portadas das igrejas dos santos da antigüidade e da idade média, fato que, aliás, ainda se observa apesar do deslocamento do eixo do novo prédio da abadia para desafogo da rua Florêncio de Abreu, no início dos novecentos. Do afastamento das clausuras masculinas neste núcleo colonial, “em cujos vértices figuram as igrejas de São Francisco, São Bento e Carmo”, também dá conta Alcântara Machado (1930). E da sua proximidade dos acessos, ao se referir “ao Piques, então importante porta de saída do aglomerado paulistano”, Nice Lecocq Müller (1956).

Tais características relativas à situação, ao sítio e à articulação urbana das cercas claustrais encontram-se por toda a antiga colônia portuguesa. As glebas de todas as ordens regulares as apresentam amiúde, com pequenas variações por outros núcleos e quadrantes. Em terras paulistas, além das suas outras propriedades rurais ou urbanas, que em geral os frades menores não acumulavam, as “religiões” tinham suas cercas entre as maiores de cada lugar. Destas e dos outros bens de raiz dão conta diferentes levantamentos ou inventários solicitados na segunda metade do século XVIII pela Coroa às congregações religiosas e guardados em cópia no Arquivo do Estado ou publicados. Pela riqueza de informações destaca-se o “Mappa Geral dos Conventos existentes na Capitania de S. Paulo”, de 1798. Esses papéis tão preciosos para se avaliar os mais diferentes aspectos relativos às várias clausuras, entre eles os fundiários, observam no entanto o respeito ao voto de pobreza dos franciscanos e dispensam a declaração circunstanciada de seus haveres e a descrição de suas cercas!

Da grande área que ocupavam os colégios, conventos e mosteiros nos mais antigos núcleos brasileiros há exemplos flagrantes. As consideráveis superfícies de seus respectivos terrenos se evidenciam ainda hoje pelo que delas restou. Theodoro Sampaio (1949) menciona o significado das propriedades dos beneditinos e dos carmelitas em Salvador; Milton Santos (1959) ressalta a proporção do centro soteropolitano detida pelas ordens religiosas em nossos dias. Como Cristopher Columbus Andrews e William Hadfield, Oscar Canstatt há bem mais de um século, referindo-se à Bahia, comenta que aquelas congregações foram “aquinhoadas com grande doações, de maneira que ainda hoje pertencem ao número dos maiores proprietários de terras do Brasil”. O imenso patrimônio dos beneditinos no Rio de Janeiro impressiona muitos outros visitantes estrangeiros, ao longo do século retrasado, como Thomas Ewbank, Daniel P. Kidder e Robert Walsh.

Tal patrimônio se apoia, contudo, em procedimentos de concessão da terra que toleravam a interveniência de outros fatores além de um traçado urbano porventura existente ou desejado. Realmente, desponta agora a ponderável influência das normas eclesiásticas e regulares, assim como das decisões diocesanas e provinciais. As Constituições do arcebispado da Bahia, emanadas do sínodo de 1707, calcadas em outras sinodais portuguesas anteriores como as do bispado de Funchal e as primeiras editadas que se conhecem para o Brasil, não deixam margem a dúvida quanto às atribuições da Igreja – então unida ao Estado – e à competência de seus dignatários em diferentes matérias. Algumas interessando também às capelas e igrejas que, além da matriz, depois Sé, abrigaram pouco a pouco as novas e diversas confrarias e irmandades paulistanas.

As constituições arquidiocesanas de número 683 a 686 são minuciosas e taxativas quanto a que nenhuma nova “Igreja, Ermida, Capella, Mosteiro, Convento ou Collegio”, ou sua reconstrução, seja feita sem autorização do Ordinário. “Para concedermos a licença, que conforme o Sagrado Concílio Tridentino é necessária para se fundar, ou instituir de novo algum Mosteiro de Religiosos, ou Religiosas, em nosso Arcebispado, posto que sejam isentos, mandaremos primeiro ver o lugar, e sítio em que se quer fundar, e tomaremos informação das rendas e bens que se lhe applicão” reza a de número 690. E a seguinte, ficando certo “que com as rendas, ou esmolas (sendo Religião que não possue bens em commum) se poderão sustentar sem prejuízos dos outros Mosteiros já fundados, lhe concederemos licença taxando-lhes o número de Religiosos, ou Religiosas”. De sua parte, os contemporâneos Estatutos municipaes da Provincia da Imaculada Conceição do Brasil são claros no acatamento às determinações supra: “Nunca se fundará Mosteyro algum de novo, com prejuizo dos antigos, havendo primeyro licença do Ordinario, como o Concilio Tridentino ordena” (1717).

Ora, o traçado urbano, portanto, não se impunha soberano perante uma gleba concedida sob tais condições, mas a acolhia como elemento privilegiado e capaz de redefinir-lhe o desenvolvimento. Até mesmo a eventual extinção da casa religiosa condicionaria o novo destino da sua antiga cerca ou a alteração de seus contornos. Ao contrário de um palimpsesto, o solo urbano, suporte de dramática e caleidoscópica aventura humana, não se apaga totalmente; permanece como suporte de novas escritas, sim, porém marcado indelevelmente pelas anteriores. Guarda seus vincos, para Milton Santos suas “rugosidades”, por mais sutis ou antigos que sejam, mantendo seu interesse para a compreensão da cidade hodierna, sua herdeira.

Texto do livro - Igrejas Paulistas Barroco e Rococó. Percival Tirapeli.


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MARANCA, Silvia. O Museu Paulista da Universidade de São Paulo. São Paulo, Banco Safra, 1984.
MILLIET, Maria Alice.Benedito Calixto. Memória Paulista. Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo, 1990.
MUSEU de Arte Sacra de São Sebastião – capela de São Gonçalo. (catálogo) São Paulo: CONDEPHAAT/SECSP/ Prefeitura de São Sebastião, 1981.
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REIS FILHO, Nestor Goulart (coord.). Guia dos Bens tombados São Paulo. Rio de Janeiro: Exped, 1986.
SILVA-NIGRA, Dom Clemente Maria da. Uma nota sobre o Museu de Arte Sacra de São Paulo. In: Pequeno Guia do Museu de Arte Sacra de São Paulo. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado, 1970
SOUZA, Marli Nunes. Benedito Calixto, um pintor à beira-mar. Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto, Santos, 2002.
TEIXEIRA, Cláudio Valério. Restauração da Igreja de São Lourenço dos Índios. Prefeitura de Niterói, Niterói, 2001.

FOLHETOS, DOCUMENTOS E OUTROS

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Arte Sacra. Relação de Objetos e catálogos relativos à Comissão de Artes. Arquivo da Cúria Metropolitana de São Paulo, São Paulo, 1954.

CAMPOS FILHO, Humberto. Convento de São Francisco. (brochura) São Paulo: Convento de São Francisco, 1975.

CATEDRAL Metropolitana de Campinas – Campinas/SP.CONDEPHAAT/ Documentos – 11. São Paulo: Governo do Estado de São Paulo / CONDEPHAAT, maio de 1981.

CERQUEIRA, Carlos G.F., SAIA NETO, José (pesquisa e textos). Sítio e Capela de Santo Antônio – Roteiro de visita. (brochura) Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 1997.

CONVENTO do Carmo – Virgem do escapulário 750 anos de devoção. Santos. S.d.(folder)

CONVENTO do Carmo. Santos. S.d.(folder)

DIOCESE de Caraguatatuba. (folder)

FESTA de Nossa Senhora do Monte Serrat. (folder)

IGREJA de Nossa Senhora do Desterrro – Catedral – Diocese de Jundiaí. Histórico e descrição da Catedral de Jundiaí. (apostila – 3p.)

IGREJA Imaculada Conceição. Histórico e descrição da igreja Imaculada Conceição – na Av.Brigadeiro Luís Antônio – São Paulo. (apostila 5p.)

IGREJA Nossa Senhora do Patrocínio. (Folder)

LINO, Clayton Ferreira. Iporanga: notas históricas. (brochura) São Paulo: Serviço de Comunicações Técnico-Científicas, 1998.

SAIA NETO, José, SAKAMOTO, Arnaldo Yoso. Os bens tombados pelo IPHAN do Estado de São Paulo.: pp.85-94.

SAIA, Luis. Igreja e Residência de Nossa Senhora da Escada. Arq. IPHAN, datilografado.

SANTOS muito além dos jardins – Centro histórico de Santos. Prefeitura Municipal de Santos. S.d. (folder)

SANTUÁRIO de Santo Antônio do Valongo. Santos, s.d. (folder)

SANTUÁRIO Mariano Diocesano de Nossa Senhora do Bom Sucesso – 50 anos. (brochura) Pindamonhangaba. Aparecida do Norte: Santuário, 1991.

SILVA, Francisco Salles Collet. Antiga Sé. São Paulo, datilografado, 2v. Arquivo da Cúria Metropolitana.

VASCONCELLOS, Bernardo Pereira. Carta ao Governo Provisório de São Paulo. Janeiro de 1822. Arquivo do Estado de São Paulo.

VELOSO, João. A Matriz de Nossa Senhora da Conceição do Facão. Cunha: Centro de Cultura e Tradição de Cunha,1982.


TRABALHOS APRESENTADOS EM CONGRESSOS E DEPOIMENTOS

BONAZZI DA COSTA, Mozart Alberto. A Igreja das Chagas do Seráfico Pai São Francisco. In: 11o. Encontro da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas. São Paulo: ANAP, 2001.
______. Depoimentos e escritos sobre as análises formais e estilísticas sobre os retábulos e talha das igrejas concedidos ao autor durante visitas às igrejas no mês de julho de 2002. São Paulo, 2002


ARQUIVOS

Catedral Nossa Senhora da Ponte – Sorocaba. Sorocaba: Museu Arquidiocesano de Arte Sacra de Sorocaba “Comendador Luiz Almeida Marins” – MADAS – LAM, 2002.

Correspondência – Mário de Andrade e Lúcio Costa. Arquivo do Instituto de Estudos Brasileiros da USP.Pasta

Fotografias de Germano Graeser. Arquivo fotográfico da 9 Superintendência Regional do IPHAN.São Paulo.

Fotografias de Germano Graeser. Arquivo IEB/USP.SP (catálogo).

Fotografias de Mário de Andrade. Álbuns com contatos fotográficos. Arquivo do Instituto dos Estudos Brasileiros da USP.

Um comentário:

Laura Carneiro disse...

Rosangela,que saudades desta exposição que marcou nosso início das pesquisas do Grupo de Pesquisa Barroco Memória Viva. Obrigado por este carinho de ter feito tão relevante trabalho principalmente sobre a bibiografia do Barroco Paulista.